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Política para deficientes mobiliza legisladores

FOTO DM - 05-05-2015Embora Juiz de Fora siga a tendência brasileira no aprimoramento da legislação voltada para a acessibilidade, tais diretrizes vêm se mostrando pouco efetivas no sentido de garantir o direito de ir vir aos deficientes, conforme relata o cineasta e professor, Franco Groia. Nossa cidade não tem uma política bem estruturada voltada para afirmação dos direitos humanos, particularmente nesse segmento. Além da acessibilidade, falta reparo e fiscalização. Parece que nada funciona, questiona ele.

Para Groia, que também é cadeirante, a morosidade é um dos principais fatores que contribuem para a ineficácia das decisões tomadas pelo poder público. Sempre foi um dos lutadores em prol da acessibilidade e vi, por exemplo, a transformação do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CMDPD) em um órgão deliberativo, o que foi muito positivo. Por outro lado, também acompanhei a demora de dois anos para implementação da Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA), contrapõe.

Buscando mudar esse cenário, o Deputado Estadual Isauro Calais (PMN), realizou ontem, 4, uma reunião com a Associação dos Surdos, o Departamento de Políticas para Pessoas com Deficiência e Direitos Humanos da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) e instituições bancárias do município (Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Santander, Itaú, Bradesco e HSBC). O objetivo, segundo legislador, foi sensibilizar os bancos para que os surdos tenham um atendimento de qualidade.

Fazemos um levantamento para elaboração de um projeto que, em breve, será apresentado à comunidade. Porém, a reunião foi o primeiro passo para impedir que os deficientes auditivos continuem passando por situações constrangedoras ou dependam de terceiros para executar suas tarefas nesses estabelecimentos, explica Calais. É uma forma de assegurar a dignidade e independência do deficiente, além de respeitá-lo como cidadão onde quer que ele esteja, afirma.

De acordo com o Deputado, no encontro ficou acertado que caberá à Associação dos Surdos, com o suporte de equipe de Calais, elaborar um projeto que supra as demandas discutidas entre a entidade e os bancos. A proposta inicial é que os funcionários das instituições financeiras passem por um curso de libras, onde serão devidamente capacitados para atender os deficientes auditivos. No projeto, os envolvidos poderão discorrer o que precisam em termos de tempo, recursos, dentre outras necessidades, pontua.

COMISSÃO DE DEFESA
Ainda no nível local, membros da Câmara Municipal também se mobilizaram na última semana, na tentativa de reforçar a concretização dos direitos dos deficientes. Na ocasião, o Legislativo aprovou a criação da Comissão de Defesa do Direito da Pessoa com Deficiência, proposta pelo Vereador Jucelio Maria (PSB), que presidirá os trabalhos do grupo, também integrado por Nilton Militão (PTC) e Léo de Oliveira (PMN) e tendo como suplente José Mansueto Fiorilo (PDT).

A iniciativa, segundo dor Jocelio, segue a principal prerrogativa das comissões permanentes: absorver todas as demandas e reivindicações em relação às pessoas com algum tipo de deficiência, investigando e elaborando políticas voltadas para esse meio, esclarece. Em nossos mandatos, já vínhamos trabalhando com esse público há algum tempo, não só nas questões materiais, mas também nas subjetivas, propondo e aprovando, por exemplo, a emissão obrigatória do IPTU e das contas da CESAMA em braile.

Na opinião de Franco Groia, a proposta é importante e sua aprovação deve ser comemorada, mas com ressalvas. Ela vai realmente contribuir para a ampliação das discussões acerca do tema, mas não sei até que ponto será possível evitar o provável conflito com próprio Conselho Municipal. A meu ver, em vez de estarmos fortalecendo órgãos, sinto que estamos promovendo um esvaziamento dos departamentos que debateriam e fiscalizariam esse segmento, questiona o professor.

De qualquer forma, vejo que esse debate está categorizado, quando, na verdade, deveria estar inserido em todas as outras lutas contra a desigualdade. No legislativo municipal, por exemplo, se fala muito nas discussões sobre a igualdade de gênero e cor, mas a deficiência, questão presente ambos os âmbitos, é pouco levantada. Não se fala, por exemplo, na mulher ou no homossexual deficiente, quando debater a deficiência é debater os direitos humanos de maneira ampla, aponta Groia.

Para o cadeirante, o direito de ir e vir, garantido na Carta Magna brasileira, está sendo desrespeitado. As CPAs as são obrigatórias em todos os municípios por lei federal. Aqui, porém, virou um órgão politizado, pois falta, evidentemente, a participação mais ampla do servidor público. Em torno de 95% dos prédios públicos municipais são feitos de escolas municipais, mas, na CPA, não estão os representantes do magistério, fundamentais para cuidar da acessibilidade. É uma concepção de comissão apenas de um lado, enfatiza.

TRABALHOS COMPLEMENTARES
Entretanto, o vereador Jucelio acredita no processo contrário. O diálogo, a soma das forças, a equalização das condutas, só nos fortalece. Tanto que ideia é convocar, já na primeira reunião da Comissão na Câmera, todos que vivenciam a realidade da deficiência e queiram participar. Até porque é complicado realizar um trabalho em prol da sociedade sem agir pela coletividade. A pessoa com deficiência precisa ter voz para dizer como devem ser feitas as coisas que as beneficiarão, reforça ele.

De acordo com a chefe do Departamento de Políticas para a Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos da Secretaria de Desenvolvimento Social (SDS) do município, Thais Altomar, a CPA juiz-forana tem como foco de trabalho a acessibilidade urbana e arquitetônica, mas busca estender esse recurso para outros campos, como a comunicação atitudinal, que seriam campanhas pontuadas no conhecer sobre como lidar com a deficiência.

Quando você fala de educação e saúde, por exemplo, é algo que foge da nossa área de atuação. Não que a comissão não possa ser chamada para intervir interferir em ambos os campos, mas nossa prioridade ao urbanismo e arquitetura, pontua ela. Segundo Thais, a Comissão, empossada no final do mês de março, se organizará em reuniões periódicas, iniciando seu calendário de encontros um próximo dia 13, onde será definida uma equipe técnica para acompanhar a concessão de alvarás de funcionamento e liberação de obras.

Estaremos interferindo na infraestrutura com a perspectiva da acessibilidade, exercendo um tipo de consultoria. Nessa reunião, capacitaremos os engenheiros e arquitetos da equipe técnica, vinculados à Secretaria de Atividades Urbanas (SAU), orientando-os para atuarem corretamente em lugares públicos e privados, completa ela. As CPA está constituída também por representantes das secretarias de Governo, Obras, Planejamento e Gestão, Desenvolvimento Social e Transporte e Trânsito.

Outros integrantes são representantes da Câmara Municipal, Departamento de Políticas para Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos (DPCDH), Procuradoria Geral do Município, Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de MG (CREA-MG), Conselho de Arquitetura e Urbanismo, PROCON-JF, Sindicato da Indústria da Construção Civil e Conselho Municipal de Habitação.

(Fonte: reportagem de Lucas Guedes, publicada no Jornal Diário Regional, de 05 de maio de 2015, página 04)

Sem saída de emergência

UCI no Independencia Shopping exibe os seis filmes em cartaz na cidade (Foto: Fernando Priamo)

UCI no Independencia Shopping exibe os seis filmes em cartaz na cidade (Foto: Fernando Priamo)

De repente você, avesso aos filmes de ação e fantasia, percebe que já faz mais de um mês que não entra no cinema. Comodamente, vai se acostumando a esperar os lançamentos chegarem nas locadoras ou na TV. Chega a esquecer da experiência da sala escura, com a luz da chamada de emergência a desviar a atenção. Alerta! A vivência dos cinemas é insubstituível. Contudo, nesta semana, restam aos espectadores de Juiz de Fora apenas seis filmes espalhados nas 14 salas existentes, sendo três deles pertencentes ao gênero de ação, um de ficção científica, outro de fantasia e um último de animação. Todos hollywoodianos, com altos custos de produção e resultados superlativos de bilheteria. Um dos mais aguardados do ano no mundo, “Vingadores: Era de Ultron” figura em todos os quatro cinemas da cidade, em 23 sessões, enquanto os outros cinco filmes dividem 31 sessões.

“Para sempre Alice”, que permaneceu em cartaz até o último dia 14, foi o único drama presente nas programações dos cinemas de Juiz de Fora em abril. Mesmo assim, a produção trazia à reboque o Oscar dado a sua protagonista, a atriz Julianne Moore. Vencedor do Globo de Ouro de melhor filme e indicado ao Oscar, “Boyhood” foi sumariamente ignorado pelas salas, ainda que o oscarizado “Birdmam” tenha chegado, por pouco tempo e em poucos horários. Para uma cidade que já teve mais de 25 espaços dedicados à sétima arte, segundo a pesquisa História do cinema brasileiro, coordenada pelo cineasta e professor Franco Groia, a mudança de perfil nas grades é, no mínimo, lamentável, haja vista a presença de salas que, ao longo dos anos, se dedicaram às produções alternativas e independentes.

Hoje o exibidor não está preocupado em formar público, mas em se sustentar, discute Groia. “A oferta pode criar a plateia. Sem oferecer não tem como conhecer. Mas é preciso se atentar para o fato de que formação de público é um investimento de anos. Precisamos criar espectadores, começando com as crianças”, concorda o professor e produtor Cristiano Rodrigues, contando que, enquanto morou em Barcelona, na Espanha, chegou a frequentar cinemas duas vezes por semana, sem assistir a filmes norte-americanos. Desde que retornou, em janeiro de 2014, diz ter perdido o hábito e pouco se lembra da última vez em que entrou em uma sala.

(Foto: Fernando Priamo)

(Foto: Fernando Priamo)

Sob muitas pressões

Há mais de 12 anos desenvolvendo programação de cinema para Juiz de Fora, Adhemar de Oliveira, responsável pela agenda do Cinearte Palace, assume a má-fase. “Minha programação está canhestra mesmo, por falta de possibilidade. Os filmes, principalmente os brasileiros, estão vindo com poucas cópias em 35mm. ‘Casa grande’, que tem reunido um público expressivo, chegou em três cópias, uma está em Porto Alegre, a outra no Rio de Janeiro, e outra, em São Paulo”, comenta. “Vamos digitalizar as duas salas do Palace até maio. Assim, é certeza que isso nos possibilitará o aumento da diversidade. Nossa intenção não é abandonar o filme grande, mas aumentar a possibilidade de lançar outras produções para o nicho que temos na cidade”, completa.

Programador da unidade da Rua Augusta, em São Paulo, do Espaço Itaú de Cinema, Adhemar vive dia a dia a certeza de que sempre haverá público para todos os filmes, inclusive os mais herméticos. Dos oito filmes em cartaz no lugar, dois são brasileiros, um francês e outro inglês. “Posso atender o popular e o mais erudito, colocando um ‘filme cabeça’ às 22h, 23h. Uma das coisas que quero fazer é aumentar o número de filmes nas salas e retornar com o viés cultural”, pontua o programador e famoso cineclubista nos anos 1980.

Para a gerente do Cinemais no Alameda, Cintia Macedo, o juiz-forano já se acostumou com a programação do lugar, que antes reservava espaço para produções independentes, mas é fato que existe um público carente. “Tive muita procura pelo filme ‘Irmã Dulce’. Se houvesse três sessões diárias, encheria. Já tentei trazer filmes assim, mas acaba ficando muito custoso. A rede é muito aberta, mas as distribuidoras pressionam e tornam inviável”, acrescenta.

Mesmo com as programações semelhantes e, em alguns casos, idênticas, os exibidores afirmam alcançar um público alto. “Acredite se quiser: nas duas primeiras semanas, todo mundo corre para ver. Aprendi com Juiz de Fora que a combinação de programação (os mesmos filmes em horários próximos) é o melhor dos mundos”, ri Adhemar. Como um mantra do mercado: não se mexe em time que está ganhando. Porém, de acordo com Cristiano Rodrigues, a pasteurização representa uma pressão ideológica maior. “Tem algo mais cruel por trás disso: os norte-americanos têm a noção de que o bem mais precioso deles é a cultura, e o principal veículo para a disseminação é o cinema. Eles não estão vendendo só um filme, mas um estilo de vida, uma lógica de mundo”, reflete, citando o aumento do número de cineclubes em Juiz de Fora, como o Cineduca, do qual é coordenador. “Esse público em potencial, as salas não têm alcançado”, critica.

Apesar de existir a lei que obriga os cinemas do país a exibirem uma quantidade mínima de filmes nacionais, a “cota de tela”, a realidade fora dos grandes centros pouco mudou. Em Juiz de Fora, os complexos dos shoppings, com maior número de salas, cinco cada um, devem exibir, ao longo do ano, no mínimo oito produções brasileiras, o que pode ser facilmente abocanhado pelos blockbusters nacionais.

A onipresença dos filmes hollywoodianos, por muitas vezes apresentados de forma opressiva, ainda é um dilema para governantes e para o público. Segundo Franco Groia, a solução é criar espaços que não se alinhem com a dinâmica mercadológica. “É urgente termos uma sala municipal de cinema. Só vejo a saída para essa programação engessada a partir do momento em que a política pública abrir espaço para o alternativo, pensando na exibição, muito mais que a produção”, conclui. Enquanto isso, para os apreciadores de dramas, restam as próprias casas, apenas.

(Fonte: Mauro Morais, Jornal Tribuna de Minas, Caderno Dois, de 26 de abril de 2015)

Ação Popular reacende discussões sobre a situação do Cine Excelsior

(Matéria publicada no TER Notícias de 30 de novembro de 2012)

Ação popular pelo Cine Excelsior

Os integrantes do Movimento Salvem o Cine Excelsior anunciaram ontem o ingresso de ação popular na Vara da Fazenda Municipal contra os proprietários do imóvel que abrigava o cinema e contra o Poder Público municipal, representado pelo Comppac (Conselho Municipal de Preservação Artístico e Cultural).

A ação, cujo direito está previsto na Constituição, tem por objetivo retomar o processo de tombamento e garantir a desapropriação do imóvel. Os integrantes do movimento questionam irregularidades e ilegalidades no pedido de declaração de interesse cultural e no tombamento do Cine Excelsior e pedem a interrupção das obras realizadas no espaço, bem como a suspensão do procedimento administrativo de alvará para funcionamento de estacionamento público a ser concedido pela Prefeitura Municipal de Juiz de Fora. O movimento completou, no último dia 26, um ano de atividades.

(Fonte: Jornal Tribuna de Minas, de 30 de novembro de 2012)

Usina de cultura: CCBM 25 anos

Uma fábrica que teceu a indústria e se tornou a motriz da Manchester Mineira. Por muitos anos, a Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas, que começou a funcionar em maio de 1888, sendo a primeira a utilizar um motor elétrico Westhinghouse no país, carregou os pilares da industrialização da cidade. Os anos se passaram, e as turbinas pararam de girar. O abandono do prédio legado às intempéries do tempo deu lugar hoje a um centro de cultura, cuja história em sua linha do tempo pode ser relembrada em fotografias expostas na mostra “Mascarenhas 25 anos”, em cartaz na Galeria Narcisse Szymanowsky do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM), até 14 de outubro, com curadoria de Guy Schmidt.

Transformar as velhas paredes daquele prédio imponente no Centro da cidade não foi, porém, tarefa fácil ou rápida. A ideia gerou um dos movimentos mais lembrados e significativos para a classe artística local. “Mascarenhas, meu amor!” foi uma campanha de artistas, jornalistas e intelectuais de Juiz de Fora e do país, ocorrida no início da década de 1980, até que, em 30 de julho de 1983, artistas locais, acompanhados de nomes como Rubem Fonseca, João Guimarães Vieira, Affonso Romano de Sant’Anna, Dnar Rocha, Marina Colassanti, os irmãos Bracher (Carlos, Nívea, Décio) e também Fani Bracher, além de Rachel Jardim, se reuniram ao redor do Cine-Theatro Central para reivindicar a transformação da velha fábrica de tecidos Bernardo Mascarenhas em “moradia cultural” para a cidade.

O momento político, segundo o pesquisador Jorge Sanglard, um dos fundadores do movimento, foi propício para todos os acontecimentos que se sucederam. Segundo ele, a transição municipal, entre os ex-prefeitos Mello Reis e Tarcísio Delgado, fez com que a classe artística se mobilizasse para apresentar suas demandas ao Governo seguinte. “Fizemos uma série de debates, por área, na rádio PRB3, para o programa ‘Flagrantes, opinião e debates’, do José Carlos de Lery, sobre como deveria ser a política de cultura do município, que resultou em matérias para a Tribuna aos domingos. Ainda segundo Jorge, um abaixo-assinado rodou a cidade e foi entregue ao então governador Tancredo Neves. Outro fundador do movimento, o artista e professor Henrique Simões destaca o ambiente político nacional, com o país ainda vivendo a ditadura militar, como ponto relevante. “Era uma época em que havia muita união. As pessoas tinham a ideia clara de que, unidas, tinham mais força. Além disso, a população abraçou a campanha pela sua própria ligação com a fábrica. Quase todo mundo tinha um parente que trabalhou lá. Acho também que o povo sabia da necessidade de um espaço cultural.”

Depois de movimentar a classe artística, foi a vez, segundo Henrique Simões, de “botar o bloco na rua”. Em 30 de julho de 1983, munido de cartazes, o povo saiu no bloco “Mascarenhas, meu amor!”, que desceu a Rua São João e foi para a porta da antiga fábrica. Também à frente do movimento, o diretor teatral Gueminho Bernardes lembra o simbolismo daquela caminhada pelo Centro da cidade. “Quando a passeata aconteceu, a batalha já estava nos momentos finais. Foi a consagração, a cereja do bolo. Lembro-me de todos os figurões, políticos, e acho importante porque deram força e projeção. Mas quem ganhou a luta mesmo foram os peões. O que fica para sempre é a foto.” Uma imagem que integra a exposição registra o final da passeata. “Quando vi que iam tirar uma foto estiquei a cabeça, pois sabia que aquilo ia ser guardado para sempre na história da cidade”, conta Gueminho.

Para Henrique Simões, a lembrança maior daquele dia está na afetividade do povo ao abraçar a causa. “É o que você leva consigo. Foi colocado uma causa ampla, e os afetos se transformaram em questões perenes.” Autor de uma maquete do CCBM presente na mostra, o artista plástico e professor Ramón Brandão guarda firme na memória todos os acontecimentos daquele dia. “Minha participação com os amigos foi como militante. Não entramos nas tomadas de decisão. Estávamos lá para ‘carregar o piano’, distribuir os panfletos e fazer parte do todo. Sabíamos o que queríamos.” Ele diz ainda que, com 18 anos e começando a trilhar seu caminho na arte, via deslumbrado a oportunidade de abraçar a mesma causa de nomes que admirava, como os Bracher. “Com o movimento participamos da cultura não somente como espectadores, mas como agentes modificadores.”

O movimento resultou, quatro anos mais tarde, na abertura do Centro Cultural, em 31 de maio de 1987. Vinte e cinco anos depois, o atual diretor do espaço Guy Schmidt acredita que o centro segue cumprindo com os princípios do “Mascarenhas, meu amor!”, já que permanece como um local democrático em que muitas pessoas têm ali seu primeiro contato com a arte. “O CCBM é uma válvula de escape para muitos artistas. A procura é diária de pessoas querendo fazer nele seus eventos.” Acima de tudo, Guy pontua o caráter público do local, ocupado por meio de editais e cujos projetos são aprovados por um colegiado. Guy destaca também a importância de os eventos e cursos do CCBM serem gratuitos.

De acordo com o diretor, a mostra “Mascarenhas 25 anos” continua aberta para receber novas fotos e informações que possam contribuir para o resgate da memória do CCBM e de todas as expressões artísticas abrigadas por ele. O material pode ser enviado para o e-mail ccbm@pjf.mg.gov.br ou entregue pessoalmente no setor administrativo do CCBM.

(Fonte: Tribuna de Minas de 07/10/2012 –  http://www.tribunademinas.com.br/cultura/usina-de-cultura-1.1166284)

Para James Cameron, 3D em casas vai demorar a fazer sucesso

James Cameron, durante palestra em Las Vegas (Foto: Chris Pizzello/AP)

A exibição em casa de filmes em três dimensões (3D) vai demorar para se disseminar, pois depende de melhorias tecnológicas que garantam uma boa qualidade de imagem sem a necessidade de óculos especiais, disse o cineasta James Cameron, diretor de filmes como “O Exterminador do Futuro”, “Titanic” e “Avatar”.

Cameron, adepto fervoroso do 3D, disse que a falta de conteúdo de qualidade é outra barreira para a disseminação da técnica, mas que a tecnologia insatisfatória para que grupos de espectadores possam assistir aos filmes de diversos ângulos e sem óculos especiais é o maior obstáculo.

“A maior barreira atualmente é a experiência em casa. Embora seja bastante boa, ela exige o compromisso de usar óculos”, disse Cameron à Reuters por telefone. “É um fenômeno familiar, então precisa ser visto de diferentes ângulos. Telas de alta qualidade, com resolução em ‘full HD’ e sem óculos estão a dois ou três anos daqui. Nos próximos anos, o mercado vai explodir.”

Filmes em 3D, que reforçam a sensação de profundidade por serem captados a partir de duas perspectivas, se popularizaram na década passada, chegando ao auge em 2009 com “Avatar”, a maior bilheteria dos cinemas de todos os tempos.

Obras filmadas em 3D ainda são poucas e esparsas, mas muitos estúdios estão convertendo seus catálogos antigos em 3D, com resultados nem sempre bons. “Uma das coisas que eu acho que prejudica o negócio são as versões rápidas e vagabundas em 3D”, disse Cameron. “Não vale a pena se você não consegue fazer direito.”

“Titanic”, do próprio Cameron, foi relançado em 3D no mês passado nos cinemas, após um ano de conversão supervisionada pessoalmente pelo cineasta. O filme sairá em 14 de setembro em Blu-ray, com a opção 2D e 3D, e incluindo extras como entrevistas com especialistas sobre o naufrágio ocorrido há cem anos.

Mas poucos fãs poderão desfrutar do 3D. Segundo a empresa de análise de mídia Screen Digest, apenas 18 milhões de lares no mundo todo têm TVs e óculos necessários para executar um Blu-ray em 3D. “Estamos falando de um mercado realmente pequeno. É um produto de luxo dentro de um segmento de luxo do vídeo”, disse o analista Tony Gunnarsson, da Screen Digest.

A perspectiva duplicada do 3D cria um desafio: sem óculos, a imagem precisa ser focada de outra maneira para a plateia, o que é mais fácil quando há um só espectador com uma perspectiva fixa, em vez de grupos com uma pessoa em cada lugar da sala.

Tablets e laptops

Por isso, disse Cameron, o 3D deve emplacar mais rapidamente em tablets e laptops, geralmente de uso individual, em vez das grandes telas domésticas. O relançamento de “Titanic” em 3D foi um enorme sucesso comercial para os estúdios 20th Century Fox e Paramount, faturando cerca de 345 milhões de dólares nas bilheterias desde 4 de abril. A conversão do filme para 3D custou 18 milhões de dólares.

O filme tem sido muito popular fora dos EUA, e especialmente na China, onde a maioria das pessoas não teve a chance de ver o original em 1997. Quem já viu, acrescentou Cameron, está voltando aos cinemas por nostalgia e pelo desejo de uma experiência diante da telona.

“São talvez mulheres na faixa dos 30 anos, que eram adolescentes na época, querendo partilhar com suas filhas, por exemplo, ou muitas plateias mais jovens que só conheciam do vídeo e queriam partilhar (o filme) como grupo.”

(Fonte: Reuters)

Ator e Diretor Robson Terra morre aos 57 anos em Juiz de Fora

Matéria publicada no dia de hoje, 11 de abril de 2012, no Jornal Diário Regional.

Reaberto o Processo de Tombamento do Cine Excelsior

Notícia publicada na seção Geral do Jornal Diário Regional no dia 06 de abril de 2012. Foi excelente tal matéria ter sido publicada neste dia pois, devido ao feriado de páscoa, o jornal teve a mesma tiragem até o dia 09.

Justiça embarga obra em cinema


Matéria publicada no Jornal Hoje em Dia.

Patrimônio

Aos interessados pela Preservação do Cine Excelsior!!

Informo que ontem teve reunião do COMPPAC. Hoje saiu esta nota publicada na Jornal Tribuna de Minas (de terça-feira, dia 13 de março de 2012), na Coluna Painel:

“O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural analisou ontem diversos tópicos acerca de intervenções no patrimônio histórico e cultural da cidade. Segundo o vereador José Laerte Barbosa (PSDB), foi aprovada a reforma estrutural de parte do prédio do Museu Mariano Procópio. No evento, que reuniu ainda o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, representantes do Poder Público e membros do conselho, foi montada uma comissão para avaliar a questão do Cine Excelsior. Projetos de intervenção e restauração na Praça da Estação e na Vila Iracema também foram analisados.”

(Fonte: Coluna Painel, do Jornal Tribuna de Minas)

Estamos aguardando o pronunciamento sobre o novo pedido, e o decorrer do novo processo (conforme trata a Lei 10.777/2004, que é a do Patrimônio de JF).

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Bem-vindo!!

Este é o site oficial de Franco Groia. Mineiro de Juiz de Fora, Groia é cineasta e professor da Universidade Salgado de Oliveira. Bacharel em Comunicação Social pela UFJF, especializou-se em Globalização, Mídia e Cidadania (UFJF) e trabalha com projetos audiovisuais e publiciade, atuando nas áreas de formação, criação, produção e direção. Além de diretor e produtor de cinema e tv, desenvolve novas aplicações da imagem em movimento com as artes visuais.