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Sem saída de emergência

UCI no Independencia Shopping exibe os seis filmes em cartaz na cidade (Foto: Fernando Priamo)

UCI no Independencia Shopping exibe os seis filmes em cartaz na cidade (Foto: Fernando Priamo)

De repente você, avesso aos filmes de ação e fantasia, percebe que já faz mais de um mês que não entra no cinema. Comodamente, vai se acostumando a esperar os lançamentos chegarem nas locadoras ou na TV. Chega a esquecer da experiência da sala escura, com a luz da chamada de emergência a desviar a atenção. Alerta! A vivência dos cinemas é insubstituível. Contudo, nesta semana, restam aos espectadores de Juiz de Fora apenas seis filmes espalhados nas 14 salas existentes, sendo três deles pertencentes ao gênero de ação, um de ficção científica, outro de fantasia e um último de animação. Todos hollywoodianos, com altos custos de produção e resultados superlativos de bilheteria. Um dos mais aguardados do ano no mundo, “Vingadores: Era de Ultron” figura em todos os quatro cinemas da cidade, em 23 sessões, enquanto os outros cinco filmes dividem 31 sessões.

“Para sempre Alice”, que permaneceu em cartaz até o último dia 14, foi o único drama presente nas programações dos cinemas de Juiz de Fora em abril. Mesmo assim, a produção trazia à reboque o Oscar dado a sua protagonista, a atriz Julianne Moore. Vencedor do Globo de Ouro de melhor filme e indicado ao Oscar, “Boyhood” foi sumariamente ignorado pelas salas, ainda que o oscarizado “Birdmam” tenha chegado, por pouco tempo e em poucos horários. Para uma cidade que já teve mais de 25 espaços dedicados à sétima arte, segundo a pesquisa História do cinema brasileiro, coordenada pelo cineasta e professor Franco Groia, a mudança de perfil nas grades é, no mínimo, lamentável, haja vista a presença de salas que, ao longo dos anos, se dedicaram às produções alternativas e independentes.

Hoje o exibidor não está preocupado em formar público, mas em se sustentar, discute Groia. “A oferta pode criar a plateia. Sem oferecer não tem como conhecer. Mas é preciso se atentar para o fato de que formação de público é um investimento de anos. Precisamos criar espectadores, começando com as crianças”, concorda o professor e produtor Cristiano Rodrigues, contando que, enquanto morou em Barcelona, na Espanha, chegou a frequentar cinemas duas vezes por semana, sem assistir a filmes norte-americanos. Desde que retornou, em janeiro de 2014, diz ter perdido o hábito e pouco se lembra da última vez em que entrou em uma sala.

(Foto: Fernando Priamo)

(Foto: Fernando Priamo)

Sob muitas pressões

Há mais de 12 anos desenvolvendo programação de cinema para Juiz de Fora, Adhemar de Oliveira, responsável pela agenda do Cinearte Palace, assume a má-fase. “Minha programação está canhestra mesmo, por falta de possibilidade. Os filmes, principalmente os brasileiros, estão vindo com poucas cópias em 35mm. ‘Casa grande’, que tem reunido um público expressivo, chegou em três cópias, uma está em Porto Alegre, a outra no Rio de Janeiro, e outra, em São Paulo”, comenta. “Vamos digitalizar as duas salas do Palace até maio. Assim, é certeza que isso nos possibilitará o aumento da diversidade. Nossa intenção não é abandonar o filme grande, mas aumentar a possibilidade de lançar outras produções para o nicho que temos na cidade”, completa.

Programador da unidade da Rua Augusta, em São Paulo, do Espaço Itaú de Cinema, Adhemar vive dia a dia a certeza de que sempre haverá público para todos os filmes, inclusive os mais herméticos. Dos oito filmes em cartaz no lugar, dois são brasileiros, um francês e outro inglês. “Posso atender o popular e o mais erudito, colocando um ‘filme cabeça’ às 22h, 23h. Uma das coisas que quero fazer é aumentar o número de filmes nas salas e retornar com o viés cultural”, pontua o programador e famoso cineclubista nos anos 1980.

Para a gerente do Cinemais no Alameda, Cintia Macedo, o juiz-forano já se acostumou com a programação do lugar, que antes reservava espaço para produções independentes, mas é fato que existe um público carente. “Tive muita procura pelo filme ‘Irmã Dulce’. Se houvesse três sessões diárias, encheria. Já tentei trazer filmes assim, mas acaba ficando muito custoso. A rede é muito aberta, mas as distribuidoras pressionam e tornam inviável”, acrescenta.

Mesmo com as programações semelhantes e, em alguns casos, idênticas, os exibidores afirmam alcançar um público alto. “Acredite se quiser: nas duas primeiras semanas, todo mundo corre para ver. Aprendi com Juiz de Fora que a combinação de programação (os mesmos filmes em horários próximos) é o melhor dos mundos”, ri Adhemar. Como um mantra do mercado: não se mexe em time que está ganhando. Porém, de acordo com Cristiano Rodrigues, a pasteurização representa uma pressão ideológica maior. “Tem algo mais cruel por trás disso: os norte-americanos têm a noção de que o bem mais precioso deles é a cultura, e o principal veículo para a disseminação é o cinema. Eles não estão vendendo só um filme, mas um estilo de vida, uma lógica de mundo”, reflete, citando o aumento do número de cineclubes em Juiz de Fora, como o Cineduca, do qual é coordenador. “Esse público em potencial, as salas não têm alcançado”, critica.

Apesar de existir a lei que obriga os cinemas do país a exibirem uma quantidade mínima de filmes nacionais, a “cota de tela”, a realidade fora dos grandes centros pouco mudou. Em Juiz de Fora, os complexos dos shoppings, com maior número de salas, cinco cada um, devem exibir, ao longo do ano, no mínimo oito produções brasileiras, o que pode ser facilmente abocanhado pelos blockbusters nacionais.

A onipresença dos filmes hollywoodianos, por muitas vezes apresentados de forma opressiva, ainda é um dilema para governantes e para o público. Segundo Franco Groia, a solução é criar espaços que não se alinhem com a dinâmica mercadológica. “É urgente termos uma sala municipal de cinema. Só vejo a saída para essa programação engessada a partir do momento em que a política pública abrir espaço para o alternativo, pensando na exibição, muito mais que a produção”, conclui. Enquanto isso, para os apreciadores de dramas, restam as próprias casas, apenas.

(Fonte: Mauro Morais, Jornal Tribuna de Minas, Caderno Dois, de 26 de abril de 2015)

Cinema nacional cresce no 1º semestre de 2013

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) publicou nesta quarta-feira (24/7) o Informe de Acompanhamento do Mercado, que mostra o Desempenho do Segmento de Salas de Exibição. O relatório confirma e amplia a tendência de aumento da participação de obras nacionais iniciada no segundo semestre de 2012.

O público dos filmes nacionais nos primeiros seis meses de 2013 registra o melhor momento em participação de bilheteria desde o lançamento de “Tropa de Elite 2″, em 2010. No período, o número representou uma participação do mercado de 18,6%.

“O crescimento da participação de mercado do cinema nacional mostra que distribuidores e produtores estão apostando cada vez mais em filmes brasileiros de diferentes gêneros, voltados para diferentes fatias do público”, declarou Manoel Rangel, diretor-presidente da Ancine.

Os picos semanais de participação de público dos filmes nacionais no primeiro semestre ultrapassaram 35%, com os resultados de “De Pernas pro Ar 2″, lançado na última semana de 2012, e de “Vai que Dá Certo”, lançado na 12ª semana. A participação de público alcançada no primeiro semestre de 2012 (5,47%) foi superada em 25 das 26 semanas deste semestre.

Apenas no primeiro semestre de 2013, o cinema brasileiro atraiu 13,6 milhões de espectadores, gerando uma renda de R$ 141,9 milhões. Os números correspondem a cerca de 90% dos registrados em todo o ano de 2012. Enquanto no primeiro semestre de 2012 nenhum filme nacional alcançou a marca de 1 milhão de espectadores, nos primeiros seis meses de 2013, cinco já venderam mais de 1 milhão de ingressos e integram a lista das 20 maiores bilheterias do semestre.

Levando em conta os dados acumulados nos últimos 12 meses, os filmes brasileiros foram responsáveis pela venda de 25,3 milhões de ingressos, número bem próximo ao alcançado em 2010, ano em que “Tropa de Elite 2″ levou mais de 11 milhões às salas. Desta vez, entretanto, o público foi bem menos concentrado, com nove produções alcançando a marca de mais de 1 milhão de espectadores desde junho de 2012.

Outro dado que chama a atenção é o número de lançamentos brasileiros nos últimos 12 meses: 107 filmes nacionais entraram em cartaz em salas de cinema no período. Comparando com anos anteriores, esse número indicaria um dos melhores resultados da história do cinema brasileiro, atrás apenas do número de lançamentos registrados em 1984.

O primeiro semestre do ano registrou a abertura de 83 novas salas de cinema, levando o parque exibidor brasileiro a um total de 2.571 salas. Os municípios de Caucaia (CE), Nossa Senhora do Socorro (SE), Planaltina (GO), Santa Quitéria (CE) e Xinguara (PA) que não possuíam cinema ganharam salas comerciais de exibição.

Clique aqui para ver o informe na íntegra.

(*Com informações da Ancine)

TV via internet vira receita para as teles

Os pacotes de televisão por assinatura via internet, ou IPTV, devem ajudar as operadoras de telecomunicações a agregar receita, com serviços de maior margem. Empresas como Telefônica e Oi já anunciaram que ao longo deste quarto trimestre vão começar a operar nestas plataformas. Focados em clientes de maior renda, estes pacotes buscam melhor experiência de vídeo, com serviços diferenciados, em um ambiente de maior concorrência.

A estratégia das empresas em operar TV paga via internet é uma tendência mundial e encontra respaldo na necessidade cada vez maior de ofertar conteúdo adicional aos assinantes, como o vídeo sob demanda.

Levantamento elaborado pela Ericsson, que será responsável pela integração de sistemas da plataforma de vídeo da Telefônica/Vivo, realizado em 12 países, revela que 41% de um universo de 12 mil clientes estão dispostos a pagar mais por uma melhor experiência. Ou seja, podem pagar por conteúdo de TV e vídeo em alta definição.

Segundo analistas do setor de telecomunicações, os serviços de IPTV, além de margem maior, pelos preços dos pacotes mais caros e para classes de renda mais altas, que demandam conexões mais velozes de internet, têm custos menores de instalação. Isso, principalmente, se o cliente já contar com uma infraestrutura de banda larga com fibra ótica. Dessa forma, será possível passar um maior número de serviços pelo mesmo ponto, sem a necessidade de um novo cabo.

Outro ponto a favor são os investimentos para aquisição do clientes. Apesar de ser o serviço que mais cresce em penetração no País, a distribuição de sinais de televisão e de áudio por assinatura via satélite (DTH) gera um alto custo para conquista de clientes, proporcionando margens mais baixas. A necessidade de aquisição de capacidade em satélites é o que reduz o retorno às teles sobre o investimento.

No caso da Telefônica/Vivo, os serviço de TV por assinatura com tecnologia IPTV poderão ser acessados em São Paulo por cerca de 20% de sua base de clientes. A meta da empresa é chegar em meados de 2013 com 1,5 milhão de domicílios habilitados para adquirir a Vivo TV por fibra. Os pacotes residenciais terão velocidade de 200 megabits por segundo (Mbps), ao custo de R$ 349,90.

Já a Oi, que registrou um salto de 170 mil para meio milhão de assinantes de TV paga via DTH desde janeiro, também espera alavancar sua base de clientes com o IPTV, que será lançado em novembro. A expectativa da empresa é de atingir uma velocidade de conexão de internet também de 200 Mbps, em pontos onde a infraestrutura de cobre seja substituída pela fibra ótica.

500 mil pessoas já utilizam o serviço de TV da Oi por DTH. O número representa um salto dos 170 mil que tinha no início deste ano. A empresa espera alavancar sua base de clientes com o IPTV, que será lançado em novembro.

(Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/tecnologia/conteudo.phtml?tl=1&id=1312077&tit=TV-via-internet-vira-receita-para-as-teles)

Para James Cameron, 3D em casas vai demorar a fazer sucesso

James Cameron, durante palestra em Las Vegas (Foto: Chris Pizzello/AP)

A exibição em casa de filmes em três dimensões (3D) vai demorar para se disseminar, pois depende de melhorias tecnológicas que garantam uma boa qualidade de imagem sem a necessidade de óculos especiais, disse o cineasta James Cameron, diretor de filmes como “O Exterminador do Futuro”, “Titanic” e “Avatar”.

Cameron, adepto fervoroso do 3D, disse que a falta de conteúdo de qualidade é outra barreira para a disseminação da técnica, mas que a tecnologia insatisfatória para que grupos de espectadores possam assistir aos filmes de diversos ângulos e sem óculos especiais é o maior obstáculo.

“A maior barreira atualmente é a experiência em casa. Embora seja bastante boa, ela exige o compromisso de usar óculos”, disse Cameron à Reuters por telefone. “É um fenômeno familiar, então precisa ser visto de diferentes ângulos. Telas de alta qualidade, com resolução em ‘full HD’ e sem óculos estão a dois ou três anos daqui. Nos próximos anos, o mercado vai explodir.”

Filmes em 3D, que reforçam a sensação de profundidade por serem captados a partir de duas perspectivas, se popularizaram na década passada, chegando ao auge em 2009 com “Avatar”, a maior bilheteria dos cinemas de todos os tempos.

Obras filmadas em 3D ainda são poucas e esparsas, mas muitos estúdios estão convertendo seus catálogos antigos em 3D, com resultados nem sempre bons. “Uma das coisas que eu acho que prejudica o negócio são as versões rápidas e vagabundas em 3D”, disse Cameron. “Não vale a pena se você não consegue fazer direito.”

“Titanic”, do próprio Cameron, foi relançado em 3D no mês passado nos cinemas, após um ano de conversão supervisionada pessoalmente pelo cineasta. O filme sairá em 14 de setembro em Blu-ray, com a opção 2D e 3D, e incluindo extras como entrevistas com especialistas sobre o naufrágio ocorrido há cem anos.

Mas poucos fãs poderão desfrutar do 3D. Segundo a empresa de análise de mídia Screen Digest, apenas 18 milhões de lares no mundo todo têm TVs e óculos necessários para executar um Blu-ray em 3D. “Estamos falando de um mercado realmente pequeno. É um produto de luxo dentro de um segmento de luxo do vídeo”, disse o analista Tony Gunnarsson, da Screen Digest.

A perspectiva duplicada do 3D cria um desafio: sem óculos, a imagem precisa ser focada de outra maneira para a plateia, o que é mais fácil quando há um só espectador com uma perspectiva fixa, em vez de grupos com uma pessoa em cada lugar da sala.

Tablets e laptops

Por isso, disse Cameron, o 3D deve emplacar mais rapidamente em tablets e laptops, geralmente de uso individual, em vez das grandes telas domésticas. O relançamento de “Titanic” em 3D foi um enorme sucesso comercial para os estúdios 20th Century Fox e Paramount, faturando cerca de 345 milhões de dólares nas bilheterias desde 4 de abril. A conversão do filme para 3D custou 18 milhões de dólares.

O filme tem sido muito popular fora dos EUA, e especialmente na China, onde a maioria das pessoas não teve a chance de ver o original em 1997. Quem já viu, acrescentou Cameron, está voltando aos cinemas por nostalgia e pelo desejo de uma experiência diante da telona.

“São talvez mulheres na faixa dos 30 anos, que eram adolescentes na época, querendo partilhar com suas filhas, por exemplo, ou muitas plateias mais jovens que só conheciam do vídeo e queriam partilhar (o filme) como grupo.”

(Fonte: Reuters)

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Este é o site oficial de Franco Groia. Mineiro de Juiz de Fora, Groia é cineasta e professor da Universidade Salgado de Oliveira. Bacharel em Comunicação Social pela UFJF, especializou-se em Globalização, Mídia e Cidadania (UFJF) e trabalha com projetos audiovisuais e publiciade, atuando nas áreas de formação, criação, produção e direção. Além de diretor e produtor de cinema e tv, desenvolve novas aplicações da imagem em movimento com as artes visuais.