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Pela transparência do CMDPD de Juiz de Fora

Transparencia no site do CMPDDando continuidade às ações de cidadania promovidas a partir de denúncias pontuais sobre a má conduta da gestão do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Deficiente (CMDPD), o Cineasta e Professor Franco Groia ingressou no última segunda-feira, dia 25 de maio de 2015, com novo requerimento com este foco no Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG), através da 20ª Promotoria de Justiça da Comarca de Juiz de Fora, cobrando imediatas providências quanto à falta de transparência, por parte do referido órgão municipal em sua própria página oficial – disponibilizada e mantida pelo executivo municipal no portal da Prefeitura de Juiz de Fora (MG) – através do seguinte endereço na web: http://www.pjf.mg.gov.br/conselhos/direitos_pessoa_com_deficiencia/.

No documento entregue ao MP, é apontado inúmeros pontos de irregularidades, que vão da falta de atualização de informações, falta das atas dos últimos dois anos de reuniões etc. “A falta de transparência é uma atitude clara de má conduta do órgão, pois a população não fica a par de nada que acontece nas reuniões do Conselho, não encontra a legislação mais atual, causando grande frustração, apatia e desinteresse em lutar por seus direitos, legitimados no texto constitucional e grande arcabouço jurídico. A verdade é que grande parte do segmento não encontra nenhuma informação atualizada desde o ano de 2013! Trata-se de uma irresponsabilidade da gestão do atual CMDPD, com a conivência solidária da atual administração Bruno Siqueira (PMDB-MG) que indicou não só o atual Presidente do Conselho passando por metade dos membros do órgão”, afirma Franco Groia.

O cineasta e professor salienta ainda que “a conduta do órgão é absurda! E isso se reflete nas deliberações de bastidores e contraditórias como a da escolha do local inacessível e inóspito para sediar a 3ª Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa Deficiente (contestada também via MP, em denúncia encaminhada neste mês)”.

A Prefeitura de Juiz de Fora, por lei federal, também é responsável a manter as páginas dos conselhos municipais e estes tem obrigação legal de divulgar seus atos, reuniões etc em site específico para que a população em geral possam não só ter acesso a estas informações como também acompanhar os andamentos, custeios e notícias referentes ao segmento em questão. Groia completa que “a não disponibilização destas informações é uma infração prevista na Lei da Transparência”.

O documento será encaminhado hoje para o Vereador Betão (PT-MG), que o mesmo seja protocolado junto à Comissão Comissão de Defesa do Direito da Pessoa com Deficiência da Câmara Municipal de Juiz de Fora, afim de que a comissão, Presidida pelo Vereador Jucelio Maria (PSB-MG), faça também o papel legítimo do debate político da questão no legislativo.

MP recebe denúncia sobre local inadequado para realização de Conferência

img001No último dia 14 de maio, o Ministério Público do Estado de Minas Gerais, em sua 20ª Promotoria da Comarca de Juiz de Fora, recebeu a denúncia do Professor e Cineasta Franco Groia sobre a inadequação do local escolhido pelo Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência (CMDPD) para realização de Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa Deficiente em 2015.

A denúncia formalizada no MP foi consequência concreta do video postado no Youtube, produzido por Carlos Roberto Desiderio, em que o cineasta foi protagonista e no qual aponta o grave problema.

De acordo com o cineasta, o Conselho entra em desacordo com Leis Federais que determinam, antes de mais nada, o acesso universal em qualquer evento de natureza pública, o direito do ir e vir das pessoas e, principalmente, a dignidade da pessoa deficiente – que é o foco da Conferência. Por força da Lei, a Prefeitura é obrigada a realizar, através do Conselho, tal evento para ampliar os debates e reflexões acerca das políticas deste segmento da população além, sobre tudo, eleger delegados que irão representar o município nas Conferências estadual e nacional.

Franco Groia, que já vem travando este debate ao longo dos anos, acha que a incompetência da Prefeitura é tamanha que deixa tal resolução na mão da Presidência do Conselho, que incapaz de diagnosticar e escolher um local público acessível e digno para realizar um evento desta natureza e importância. Esta opinião é compartilhada por muitos deficientes, entre eles membros do próprio CMDPD que eram contra o local mas foram ignorados pela Mesa Executiva do Conselho – encabeçada por Harison Felipe Nassar, Presidente do órgão.

O local em questão é o prédio localizado na rua Maria Pertétua, nº 72, no bairro Ladeira, onde são apontados inúmeros pontos de irregularidades do ponto de vista da acessibilidade, que vai da falta de infraestrutura urbana (rebaixamento de meios fios das calçadas, vias seguras, etc), passando pela distância do centro – o se que agrava o problema para o segmento (pela falha na mobilidade urbana, devido à falta de ônibus perto do local etc).

O CMDPD, está sendo usado politicamente e vem tendo uma postura completamente alheia às necessidades prioritárias dos deficientes do município. A escolha irresponsável do prédio conhecido como Escola de Governo é o caso concreto disso, afirma Groia.

A expectativa é de que o MP se posicione no sentido de cobrar a mudança do local da Conferência. Vamos aguardar.

Política para deficientes mobiliza legisladores

FOTO DM - 05-05-2015Embora Juiz de Fora siga a tendência brasileira no aprimoramento da legislação voltada para a acessibilidade, tais diretrizes vêm se mostrando pouco efetivas no sentido de garantir o direito de ir vir aos deficientes, conforme relata o cineasta e professor, Franco Groia. Nossa cidade não tem uma política bem estruturada voltada para afirmação dos direitos humanos, particularmente nesse segmento. Além da acessibilidade, falta reparo e fiscalização. Parece que nada funciona, questiona ele.

Para Groia, que também é cadeirante, a morosidade é um dos principais fatores que contribuem para a ineficácia das decisões tomadas pelo poder público. Sempre foi um dos lutadores em prol da acessibilidade e vi, por exemplo, a transformação do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CMDPD) em um órgão deliberativo, o que foi muito positivo. Por outro lado, também acompanhei a demora de dois anos para implementação da Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA), contrapõe.

Buscando mudar esse cenário, o Deputado Estadual Isauro Calais (PMN), realizou ontem, 4, uma reunião com a Associação dos Surdos, o Departamento de Políticas para Pessoas com Deficiência e Direitos Humanos da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) e instituições bancárias do município (Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Santander, Itaú, Bradesco e HSBC). O objetivo, segundo legislador, foi sensibilizar os bancos para que os surdos tenham um atendimento de qualidade.

Fazemos um levantamento para elaboração de um projeto que, em breve, será apresentado à comunidade. Porém, a reunião foi o primeiro passo para impedir que os deficientes auditivos continuem passando por situações constrangedoras ou dependam de terceiros para executar suas tarefas nesses estabelecimentos, explica Calais. É uma forma de assegurar a dignidade e independência do deficiente, além de respeitá-lo como cidadão onde quer que ele esteja, afirma.

De acordo com o Deputado, no encontro ficou acertado que caberá à Associação dos Surdos, com o suporte de equipe de Calais, elaborar um projeto que supra as demandas discutidas entre a entidade e os bancos. A proposta inicial é que os funcionários das instituições financeiras passem por um curso de libras, onde serão devidamente capacitados para atender os deficientes auditivos. No projeto, os envolvidos poderão discorrer o que precisam em termos de tempo, recursos, dentre outras necessidades, pontua.

COMISSÃO DE DEFESA
Ainda no nível local, membros da Câmara Municipal também se mobilizaram na última semana, na tentativa de reforçar a concretização dos direitos dos deficientes. Na ocasião, o Legislativo aprovou a criação da Comissão de Defesa do Direito da Pessoa com Deficiência, proposta pelo Vereador Jucelio Maria (PSB), que presidirá os trabalhos do grupo, também integrado por Nilton Militão (PTC) e Léo de Oliveira (PMN) e tendo como suplente José Mansueto Fiorilo (PDT).

A iniciativa, segundo dor Jocelio, segue a principal prerrogativa das comissões permanentes: absorver todas as demandas e reivindicações em relação às pessoas com algum tipo de deficiência, investigando e elaborando políticas voltadas para esse meio, esclarece. Em nossos mandatos, já vínhamos trabalhando com esse público há algum tempo, não só nas questões materiais, mas também nas subjetivas, propondo e aprovando, por exemplo, a emissão obrigatória do IPTU e das contas da CESAMA em braile.

Na opinião de Franco Groia, a proposta é importante e sua aprovação deve ser comemorada, mas com ressalvas. Ela vai realmente contribuir para a ampliação das discussões acerca do tema, mas não sei até que ponto será possível evitar o provável conflito com próprio Conselho Municipal. A meu ver, em vez de estarmos fortalecendo órgãos, sinto que estamos promovendo um esvaziamento dos departamentos que debateriam e fiscalizariam esse segmento, questiona o professor.

De qualquer forma, vejo que esse debate está categorizado, quando, na verdade, deveria estar inserido em todas as outras lutas contra a desigualdade. No legislativo municipal, por exemplo, se fala muito nas discussões sobre a igualdade de gênero e cor, mas a deficiência, questão presente ambos os âmbitos, é pouco levantada. Não se fala, por exemplo, na mulher ou no homossexual deficiente, quando debater a deficiência é debater os direitos humanos de maneira ampla, aponta Groia.

Para o cadeirante, o direito de ir e vir, garantido na Carta Magna brasileira, está sendo desrespeitado. As CPAs as são obrigatórias em todos os municípios por lei federal. Aqui, porém, virou um órgão politizado, pois falta, evidentemente, a participação mais ampla do servidor público. Em torno de 95% dos prédios públicos municipais são feitos de escolas municipais, mas, na CPA, não estão os representantes do magistério, fundamentais para cuidar da acessibilidade. É uma concepção de comissão apenas de um lado, enfatiza.

TRABALHOS COMPLEMENTARES
Entretanto, o vereador Jucelio acredita no processo contrário. O diálogo, a soma das forças, a equalização das condutas, só nos fortalece. Tanto que ideia é convocar, já na primeira reunião da Comissão na Câmera, todos que vivenciam a realidade da deficiência e queiram participar. Até porque é complicado realizar um trabalho em prol da sociedade sem agir pela coletividade. A pessoa com deficiência precisa ter voz para dizer como devem ser feitas as coisas que as beneficiarão, reforça ele.

De acordo com a chefe do Departamento de Políticas para a Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos da Secretaria de Desenvolvimento Social (SDS) do município, Thais Altomar, a CPA juiz-forana tem como foco de trabalho a acessibilidade urbana e arquitetônica, mas busca estender esse recurso para outros campos, como a comunicação atitudinal, que seriam campanhas pontuadas no conhecer sobre como lidar com a deficiência.

Quando você fala de educação e saúde, por exemplo, é algo que foge da nossa área de atuação. Não que a comissão não possa ser chamada para intervir interferir em ambos os campos, mas nossa prioridade ao urbanismo e arquitetura, pontua ela. Segundo Thais, a Comissão, empossada no final do mês de março, se organizará em reuniões periódicas, iniciando seu calendário de encontros um próximo dia 13, onde será definida uma equipe técnica para acompanhar a concessão de alvarás de funcionamento e liberação de obras.

Estaremos interferindo na infraestrutura com a perspectiva da acessibilidade, exercendo um tipo de consultoria. Nessa reunião, capacitaremos os engenheiros e arquitetos da equipe técnica, vinculados à Secretaria de Atividades Urbanas (SAU), orientando-os para atuarem corretamente em lugares públicos e privados, completa ela. As CPA está constituída também por representantes das secretarias de Governo, Obras, Planejamento e Gestão, Desenvolvimento Social e Transporte e Trânsito.

Outros integrantes são representantes da Câmara Municipal, Departamento de Políticas para Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos (DPCDH), Procuradoria Geral do Município, Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de MG (CREA-MG), Conselho de Arquitetura e Urbanismo, PROCON-JF, Sindicato da Indústria da Construção Civil e Conselho Municipal de Habitação.

(Fonte: reportagem de Lucas Guedes, publicada no Jornal Diário Regional, de 05 de maio de 2015, página 04)

Sem saída de emergência

UCI no Independencia Shopping exibe os seis filmes em cartaz na cidade (Foto: Fernando Priamo)

UCI no Independencia Shopping exibe os seis filmes em cartaz na cidade (Foto: Fernando Priamo)

De repente você, avesso aos filmes de ação e fantasia, percebe que já faz mais de um mês que não entra no cinema. Comodamente, vai se acostumando a esperar os lançamentos chegarem nas locadoras ou na TV. Chega a esquecer da experiência da sala escura, com a luz da chamada de emergência a desviar a atenção. Alerta! A vivência dos cinemas é insubstituível. Contudo, nesta semana, restam aos espectadores de Juiz de Fora apenas seis filmes espalhados nas 14 salas existentes, sendo três deles pertencentes ao gênero de ação, um de ficção científica, outro de fantasia e um último de animação. Todos hollywoodianos, com altos custos de produção e resultados superlativos de bilheteria. Um dos mais aguardados do ano no mundo, “Vingadores: Era de Ultron” figura em todos os quatro cinemas da cidade, em 23 sessões, enquanto os outros cinco filmes dividem 31 sessões.

“Para sempre Alice”, que permaneceu em cartaz até o último dia 14, foi o único drama presente nas programações dos cinemas de Juiz de Fora em abril. Mesmo assim, a produção trazia à reboque o Oscar dado a sua protagonista, a atriz Julianne Moore. Vencedor do Globo de Ouro de melhor filme e indicado ao Oscar, “Boyhood” foi sumariamente ignorado pelas salas, ainda que o oscarizado “Birdmam” tenha chegado, por pouco tempo e em poucos horários. Para uma cidade que já teve mais de 25 espaços dedicados à sétima arte, segundo a pesquisa História do cinema brasileiro, coordenada pelo cineasta e professor Franco Groia, a mudança de perfil nas grades é, no mínimo, lamentável, haja vista a presença de salas que, ao longo dos anos, se dedicaram às produções alternativas e independentes.

Hoje o exibidor não está preocupado em formar público, mas em se sustentar, discute Groia. “A oferta pode criar a plateia. Sem oferecer não tem como conhecer. Mas é preciso se atentar para o fato de que formação de público é um investimento de anos. Precisamos criar espectadores, começando com as crianças”, concorda o professor e produtor Cristiano Rodrigues, contando que, enquanto morou em Barcelona, na Espanha, chegou a frequentar cinemas duas vezes por semana, sem assistir a filmes norte-americanos. Desde que retornou, em janeiro de 2014, diz ter perdido o hábito e pouco se lembra da última vez em que entrou em uma sala.

(Foto: Fernando Priamo)

(Foto: Fernando Priamo)

Sob muitas pressões

Há mais de 12 anos desenvolvendo programação de cinema para Juiz de Fora, Adhemar de Oliveira, responsável pela agenda do Cinearte Palace, assume a má-fase. “Minha programação está canhestra mesmo, por falta de possibilidade. Os filmes, principalmente os brasileiros, estão vindo com poucas cópias em 35mm. ‘Casa grande’, que tem reunido um público expressivo, chegou em três cópias, uma está em Porto Alegre, a outra no Rio de Janeiro, e outra, em São Paulo”, comenta. “Vamos digitalizar as duas salas do Palace até maio. Assim, é certeza que isso nos possibilitará o aumento da diversidade. Nossa intenção não é abandonar o filme grande, mas aumentar a possibilidade de lançar outras produções para o nicho que temos na cidade”, completa.

Programador da unidade da Rua Augusta, em São Paulo, do Espaço Itaú de Cinema, Adhemar vive dia a dia a certeza de que sempre haverá público para todos os filmes, inclusive os mais herméticos. Dos oito filmes em cartaz no lugar, dois são brasileiros, um francês e outro inglês. “Posso atender o popular e o mais erudito, colocando um ‘filme cabeça’ às 22h, 23h. Uma das coisas que quero fazer é aumentar o número de filmes nas salas e retornar com o viés cultural”, pontua o programador e famoso cineclubista nos anos 1980.

Para a gerente do Cinemais no Alameda, Cintia Macedo, o juiz-forano já se acostumou com a programação do lugar, que antes reservava espaço para produções independentes, mas é fato que existe um público carente. “Tive muita procura pelo filme ‘Irmã Dulce’. Se houvesse três sessões diárias, encheria. Já tentei trazer filmes assim, mas acaba ficando muito custoso. A rede é muito aberta, mas as distribuidoras pressionam e tornam inviável”, acrescenta.

Mesmo com as programações semelhantes e, em alguns casos, idênticas, os exibidores afirmam alcançar um público alto. “Acredite se quiser: nas duas primeiras semanas, todo mundo corre para ver. Aprendi com Juiz de Fora que a combinação de programação (os mesmos filmes em horários próximos) é o melhor dos mundos”, ri Adhemar. Como um mantra do mercado: não se mexe em time que está ganhando. Porém, de acordo com Cristiano Rodrigues, a pasteurização representa uma pressão ideológica maior. “Tem algo mais cruel por trás disso: os norte-americanos têm a noção de que o bem mais precioso deles é a cultura, e o principal veículo para a disseminação é o cinema. Eles não estão vendendo só um filme, mas um estilo de vida, uma lógica de mundo”, reflete, citando o aumento do número de cineclubes em Juiz de Fora, como o Cineduca, do qual é coordenador. “Esse público em potencial, as salas não têm alcançado”, critica.

Apesar de existir a lei que obriga os cinemas do país a exibirem uma quantidade mínima de filmes nacionais, a “cota de tela”, a realidade fora dos grandes centros pouco mudou. Em Juiz de Fora, os complexos dos shoppings, com maior número de salas, cinco cada um, devem exibir, ao longo do ano, no mínimo oito produções brasileiras, o que pode ser facilmente abocanhado pelos blockbusters nacionais.

A onipresença dos filmes hollywoodianos, por muitas vezes apresentados de forma opressiva, ainda é um dilema para governantes e para o público. Segundo Franco Groia, a solução é criar espaços que não se alinhem com a dinâmica mercadológica. “É urgente termos uma sala municipal de cinema. Só vejo a saída para essa programação engessada a partir do momento em que a política pública abrir espaço para o alternativo, pensando na exibição, muito mais que a produção”, conclui. Enquanto isso, para os apreciadores de dramas, restam as próprias casas, apenas.

(Fonte: Mauro Morais, Jornal Tribuna de Minas, Caderno Dois, de 26 de abril de 2015)

Cine Excelsior: dilemas do espaço que contou história à população de Juiz de Fora

O Cine Excelsior foi inaugurado em 1958 e desperta diferentes discussões na pauta cultural de Juiz de Fora. Após anos de disputa judicial em prol da reabertura do espaço, fechado desde 1994, da luta pelo tombamento ou pela obtenção da Declaração de Interesse Cultural (documento que garantiria que o local seria destinado apenas a eventos culturais) e diante do desinteresse do poder público, o Cine Excelsior encontrava-se em situação precária e caía em gradativo esquecimento até meados de 2011.

Em novembro do ano passado, as poltronas do cinema e o letreiro com os dizeres “fechado para reforma” foram retirados do local. O objetivo dos novos proprietários, que compraram o espaço em 2010, era transformá-lo em um estacionamento rotativo de veículos. Até o momento, as obras estão embargadas pela Prefeitura da cidade por falta de laudos que comprovem a capacidade de o prédio abrigar atividades com esse fim, além de haver preocupação com a circulação de veículos na Avenida Rio Branco.

Desde então, o movimento para que o prédio seja tombado e se torne um patrimônio histórico da cidade se intensificou e tenta garantir que o lugar não deixe de existir. Franco Groia, professor de História do Cinema e líder do movimento “Salvem o Cine Excelsior”, explica como se dá a movimentação.

Groia revela que muitas foram as tentativas de impedir que o local fosse destruído: “o movimento existe para lutar por esse patrimônio cultural que é muito maior que o proprietário. A gente respeita a pessoa, mas temos que levar em consideração o valor cultural e histórico presente naquele espaço que pertence à história da cidade de Juiz de Fora”. Através das redes sociais (Facebook, Twitter, Site e Youtube), os integrantes do movimento mobilizam a população em prol da preservação e recuperação do espaço, lutando para ele não seja esquecido.

O processo de tombamento do prédio como patrimônio histórico da cidade não foi aprovado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (COMPPAC), órgão responsável por avaliar a ação, mas um novo recurso já está sendo representado, agora por parte do condomínio onde se localiza o cinema, para reverter essa decisão. O recurso segue em segunda instância no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em Belo Horizonte.

“Recentemente, o cinema nacional aumentou a produção e, consequentemente, o número de espectadores. Há espaço (ou mercado) para novas salas, enquanto a ANCINE (Agência Nacional de Cinema) calculou o crescimento de 8% em um ano, projetando o dobro da quantidade atual para 2020. Há ainda um programa federal (o Cinema Perto de Você) destinado a recuperar cinemas antigos, requerendo (dentre outras exigências) a autossuficiência por meio de um plano de negócios, e que infelizmente só não contempla a compra do imóvel.” – Texto do site “Salvem o Cine Excelsior”

Saiba mais sobre a história do Cine Excelsior

O Cine Excelsior, inaugurado ao som do Hino Nacional em fevereiro de 1958, foi considerado, até a década de 90, uma das melhores salas de cinema do Brasil. Marco no período de modernização de Juiz de Fora e referência cultural da cidade, a única sala do prédio podia acomodar cerca de 1.250 pessoas.

O espaço foi idealizado por Procopinho, filho do ex-prefeito da cidade, José Procópio Ferreira, e era composto por um telão de projeção, sistema de som de 21 caixas, acústica impecável, iluminação a néon, um ar condicionado central e projetor cinematográfico. O projeto, feito por Armando Favatto, foi o sexto prédio com mais de cinco andares construído em Juiz de Fora. O maior cinema do interior de Minas Gerais refletia o período de modernização pelo qual passava a cidade. A decoração interna era em estilo Art Décor, uma tendência artística que ganhou força no Brasil dos anos 20. O Cine Excelsior abriu as portas para a sessão inaugural em 1958.

Os anos seguintes foram marcados pelo sucesso do cinema, que se tornou preferência entre a população em geral. As filas de espera para as sessões de filmes eram gigantescas e, em dias mais movimentados, elas se estendiam pela Avenida Rio Branco, passavam pela Rua Floriano Peixoto e alcançavam até a Avenida Getúlio Vargas.

Apesar de ser um dos mais modernos dos sete cinemas existentes na cidade, o Cine Excelsior teve o último filme apresentado em 30 de outubro de 1994. A concorrência inesperada com a TV e o surgimento do videocassete, nos anos 80, fizeram com que o Excelsior mergulhasse numa crise sem fim. O local ficou endividado e muitos funcionários foram demitidos. O resultado já perdura por mais de 18 anos e as portas do cinema ainda continuam fechadas. A reinauguração, marcada inicialmente para 23 de junho de 1995, ainda é aguardada por muitas pessoas que assistiram de perto a crise gradativa do local.

Casos e Causos

Terezinha Maria de Jesus, de 79 anos, antiga espectadora do Cine Excelsior, afirma que o cinema faz parte da história da cidade e da vida das pessoas que lá estiveram e puderam presenciar grandes momentos. “Vivi grandes aventuras no Excelsior e é uma pena que as próximas gerações não possam conhecer aquela beleza de lugar, que conta muito sobre como era ser juizforano naquela época”, diz a senhora.

Oscar Kappel, de 89 anos, conheceu o prédio antes deste se tornar cinema e diz que frequentava a sala com a esposa dele quando começaram a namorar. Ele conta que na época que o Cine funcionava, existiam outros cinemas na cidade, tais como o Central, o Cine Glória, o Cine Popular e o Rex, mas a preferência era pelo Cine Excelsior.

Como parte da própria história, Oscar fala sobre o surgimento do local. “Onde é o Cinema Excelsior hoje, antes funcionavam as instalações do Comissário Vargas, uma empresa de transporte rodoviário que usava caminhões de dez rodas. Na época, eles tiraram das ruas as árvores de jalão, que os moleques costumavam subir”.

Para a comerciante Renata Tavares, 41 anos, o Cine guarda histórias engraçadas. “O pessoal costuma falar que lá tinha até pulgas quando começaram a inaugurar outros cinemas na cidade, mas deve ser por causa da concorrência. Eu lembro que depois que parou de passar os melhores filmes lá, falaram que estava funcionando como cinema pornô”.

Mas o cineasta Franco Groia ainda acredita no Cine Excelsior:

(Fonte: matéria produzida por Por Gabriella Ribeiro, Izabela Fonseca, Maristela Rosa, Natália Ferreira e Priscilla Helena – para o Blog In_Formação em Processo)

Tombamento do Cine Excelsior é rejeitado pelo Conselho Municipal

(Reproduzimos matéria da Rádio Catedral de Juiz de Fora, realizada pelo jornalista Raphael Lemos – disponível na íntegra no endereço: http://radiocatedraljf.com.br/site/tombamento-do-cine-excelsior-e-rejeitado-pelo-conselho-municipal/ )

O Cine Excelsior pode estar com sua transformação em estacionamento encaminhada. Isso porque o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac) rejeitou, em reunião realizada na última segunda-feira, o pedido de tombamento proposto pelo Movimento Salvem o Cine Excelsior. Indignado com a decisão, o líder do movimento, o professor universitário Franco Groia, reclamou da falta de comunicação por parte do Conselho.  (escute aqui)

O superintendente da Funalfa, Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage, e presidente do Comppac, Toninho Dutra, defendeu que a decisão do Conselho reafirma pareceres anteriores.  (escute aqui)

Sobre a queixa de que o processo teria sido pouco transparente, o presidente do Comppac, Toninho Dutra, argumentou que não há instrumento legal que obrigue o Conselho a convidar o requerente a participar da reunião. (escute aqui)

Ontem, o líder do Movimento Salvem o Cine Excelsior, Franco Groia, entrou com uma representação no Ministério Público pedindo a verificação de todo o processo.  (escute aqui)

Sobre a representação no Ministério Público, o presidente do Comppac disse não ter sido informado a respeito e alega que não vê necessidade de o Conselho ser apresentado, mas que caso seja solicitada a manifestação do órgão, este irá se posicionar. O Cine Excelsior foi inaugurado em 1958, e está fechado há 18 anos. Os donos tentam transformar o local num estacionamento. As obras já estavam em curso no ano passado, quando foram embargadas pela Prefeitura devido à falta de laudos técnicos.

(*) para ter acesso à Lei Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural clique aqui.

Tombamento do Cine Excelsior é recusado pela nona vez

Matéria publicada no Jornal Diário Regional, de 5 de julho de 2012.

COMPPAC recusa tombamento do Cine Excelsior

A nona tentativa de tombamento ou declaração de bem de interesse cultural para o Cine Excelsior foi recusada na última segunda (4), durante reunião mensal do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac). O pedido havia sido encaminhado pelo movimento “Salvem o Cine Excelsior”, iniciado logo após a retirada e a venda das cadeiras do espaço no final do ano passado. Com dez votos contra dois e uma abstenção, o Comppac não encontrou justificativas para preservar o imóvel – inaugurado como cinema em 1958 – ou limitar a utilização pelos proprietários. O Excelsior já teve nove solicitações de tombamento, por diferentes autores. Todas elas foram recusadas. “Isso não é teimosia de quem defende o prédio. É prova de que a população legitimou sua importância”, opina o cineasta Franco Groia. Segundo o superintendente da Funalfa e presidente do Comppac, Toninho Dutra, o conselho julga somente o mérito técnico da questão a partir de relatório elaborado, independentemente do número de pessoas pedindo um tombamento.

(Matéria publicada na versão online da Tribuna de Minas de 05 de Junho de 2012.)

Depoimento de Valéria Andrade sobre as obras da NOVA JUIZ DE FORA

O Cineasta Franco Groia colheu importante depoimento de Maria Valéria Andrade, que é do CONSELHO MUNICIPAL DA PESSOA PORTADORA DE DEFICIÊNCIA (CMPPD), além de ativista dos direitos humanos e consultora na área de inclusão da pessoa com deficiência, sobre os absurdos das obras que estão sendo realizadas no projeto da NOVA JUIZ DE FORA.

Valéria Andrade acompanhou toda discussão sobre acessibilidade na construção das políticas públicas do setor. Porém, atesta que a prefeitura não respeita das políticas e não está de acordo com o que vem sendo realizado pela Secretaria de Obras.

Assista abaixo o depoimento de Valéria Andrade na íntegra:

Ator e Diretor Robson Terra morre aos 57 anos em Juiz de Fora

Matéria publicada no dia de hoje, 11 de abril de 2012, no Jornal Diário Regional.

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Bem-vindo!!

Este é o site oficial de Franco Groia. Mineiro de Juiz de Fora, Groia é cineasta e professor da Universidade Salgado de Oliveira. Bacharel em Comunicação Social pela UFJF, especializou-se em Globalização, Mídia e Cidadania (UFJF) e trabalha com projetos audiovisuais e publiciade, atuando nas áreas de formação, criação, produção e direção. Além de diretor e produtor de cinema e tv, desenvolve novas aplicações da imagem em movimento com as artes visuais.