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Programa Mosaico – Especial Cinemas de Juiz de Fora

Este video é o Programa Mosaico – Especial Cinemas de Juiz de Fora, produzido e exibido (em duas partes) na TVE-JF no final de 2011.

Assista abaixo ao Programa Mosaico Especial Cinemas de Juiz de Fora – Parte 1:

Assista abaixo ao Programa Mosaico Especial Cinemas de Juiz de Fora – Parte 2:

O Mosaico é um programa de cunho cultural, que apresenta a cada edição as particularidades e as curiosidades dos bairros de Juiz de Fora. Através de bate-papos e da apresentação dos lugares visitados, é possível montar, de forma descontraída, um mosaico da identidade da cidade.

O projeto “Mosaico” estreou dia 2 de julho de 2007 pela TVE, canal 12 de Juiz de Fora, entrando para a história como o primeiro programa produzido por alunos a ser transmitido em canal aberto local.

O Mosaico foi premiado com o segundo lugar na modalidade “Programa de Televisão”, categoria “Rádio e TV”, do Expocom Sudeste, durante o Intercom Sudeste – encontro regional mais importante da área de comunicação.

Campanha “Salvem o Cine Excelsior”

Central: Retrato de época

Um clique e fez-se eterno um instante no cinema da cidade. Uma fotografia, que, de forma breve, guardou a euforia dos que acabaram de assistir a um filme. Guardada no enorme acervo iconográfico do ex-funcionário do Cine-Theatro Central Waltencir Parizzi, a fotografia, que mostra o fim de uma das sessões do filme Rose Marie, descortina inúmeros costumes que envolvem o cinema e Juiz de Fora no ano de 1937.

Do luxo dos espectadores à majestosa fachada do maior cinema local, a imagem revela uma época em que estar diante da sétima arte era um importante evento social.

Relíquias como essa imagem remontam a um passado do qual Parizzi muito se orgulha. “Tenho uma coleção de recortes e programação, que fiz com minhas próprias mãos. Fui colando em livros grandes, com grude”, revela o senhor de invejável memória. “Fiz dois ou três álbuns com a história do cinema na cidade”, completa, referindo-se a uma parte do acervo que doou para a Universidade Federal de Juiz de Fora como forma de agradecimento pelo trabalho que durou toda a sua vida profissional, e no qual assumiu variadas funções, de bilheteiro a produtor.

Das lembranças de Parizzi sobressai o clima efervescente de um cinema hollywoodiano em franca ascendência. “As pessoas se arrumavam muito para ir ao cinema. A frequência era grande. Aquilo era um grande acontecimento”, rememora.

PELÍCULAS

O filme em cartaz naquela noite especialmente movimentada, fixada pela fotografia, retratava mais um romance proibido, ao estilo dos filmes da época, com a novidade de deixar para trás a poética do cinema mudo. Estrelado por Jeanette MacDonald, a grande musa dos musicais norte-americanos, e por seu fiel parceiro na telona, Nelson Eddy, o longa-metragem foi produzido e distribuído pela Metro-Goldwyn-Mayer, marca eternizada pelo uso de um leão em sua logomarca.

Voltando 74 anos no tempo, vê-se no letreiro rodeado por luzes o nome dos atores, tão grandes quanto o título do filme. Como hoje, naquela época também existia uma grande fidelização aos intérpretes, garantia de sucesso de público tanto para os produtores de Hollywood quanto para os coordenadores das agendas dos cinemas.

Em letras menores no letreiro aparece o nome do diretor W.S. Van Dike, um dos mais versáteis e rápidos profissionais da MGM. Tendo iniciado sua carreira em 1917, foi o responsável pelo primeiro encontro de Jeanette e Eddy, em Oh! Marietta, opereta de retumbante sucesso à época. “Essa é a época de ouro de Hollywood, dos grandes musicais, que iriam declinar na década de 50. Apesar de se tornarem, posteriormente, mais complexos, os musicais dessa época eram muito simples, grandes números de dança entremeados por uma historinha”, explica o cineasta e pesquisador Franco Groia.

INSTANTÂNEOS

Atento ao fotógrafo, que disparou seu flash contra a multidão, o público reunia elegantes homens e mulheres das mais variadas idades. O alinho, já presente no uniforme dos porteiros – jaqueta cinza com botões dourados, camisa branca, calça azul marinho e sapatos pretos –, também era percebido na plateia.

Os homens vestiam ternos, gravatas e chapéus, sem esquecer o famoso lenço no bolso. As mulheres mostravam estar em consonância com as últimas tendências parisienses, trajando conjuntos de passeio em seda estampada ou crepe georgette, golas jabot e laços, além de charmosos chapéus, ora indiscretos, ora reservados.

Embora toda a pompa sugira elitismo, o cinema não era uma atração cara. De acordo com Franco Groia, a maioria dos frequentadores de cinema era formada por operários, pessoas simples. “O cinema tinha um poder de massa. Era um entretenimento da grande família, muito barato, da comédia leve de fácil assimilação”, analisa, apontando as poucas opções de lazer da época.

Um olhar atento ao primeiro plano da fotografia permite confirmar o ar cerimonioso da sessão, bem como de qualquer outro passeio que se fizesse no trajeto da Rua Halfeld. Com sofisticados hotéis e cafés, além de filiais de famosas lojas cariocas, a rua demonstrava o apreço pela Europa, vivido por uma cidade cuja arquitetura rumava para o art déco. A iluminação que ornava a Praça João Pessoa ressaltava o estilo que conjugava formas geométricas e simplicidade de suportes.

Inserido no instante fotográfico, tornou-se eternizado no canto direito da imagem um dos maiores selos fonográficos da América. Criada em 1929, a RCA Victor foi responsável por grandes transações no circuito musical e manteve em seu u elenco nomes como Elvis Presley e David Bowie. No Brasil, lançou Nelson Gonçalves e outros ídolos da música popular, embalando um veículo que disputava público com a tela grande.

Lugares e pessoas revelados por um clique, como se a fotografia extrapolasse seu papel de registro, assumindose como documento, retrato de costumes e práticas de uma época. Numa ironia, a fotografia contando o cinema. Reproduzindo Cartier-Bresson, é possível acreditar que, “de todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório”.

(Fonte:Jornal Palco UFJF – Ago. 2011)

Waltencir Parizzi: Histórias de um apaixonado pelo cinema

A segunda edição de 2009 do projeto Diálogos Abertos abre espaço para uma memória viva do cinema na cidade, Waltencir Parizzi. O evento é uma iniciativa da Pró-reitoria de Cultura da UFJF e busca resgatar a memória sociocultural de Juiz de Fora por meio de depoimentos de pessoas que fazem parte da história local. No encontro de hoje, que será realizado no Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm), o público presente terá oportunidade de ouvir as histórias do ex-funcionário da Companhia Central de Diversões, que dedicou 55 dos seus 79 anos ao espaço cultural mais tradicional da cidade, o Cine-Theatro Central. “Tenho muita história para contar”, dispara a personalidade em foco.

“O cinema Central foi a minha vida”, assim Waltencir resume sua experiência à frente do espaço. Ele conta que começou aos 14 anos como porteiro e passou por diversas funções, como bilheteiro, supervisor e gerente. “Eu fui tudo lá dentro. Entendo desde administração até projeção.” Saudoso, tem orgulho de ter trabalhado no Cine-Theatro Central no auge do cinema. “Eu colocava três mil pessoas em uma sessão, é capaz de os cinemas de hoje não registrarem esse número em um mês.”

Bom de papo, Waltencir conversou com a Tribuna e se mostrou feliz em participar do projeto da UFJF, pronto para responder às perguntas dos entrevistadores no encontro de logo mais. A mesa será composta pelo jornalista Jorge Sanglard, pelo arquiteto Marcos Olender, além dos cineastas Franco Groia e Rogério Terra.

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Este é o site oficial de Franco Groia. Mineiro de Juiz de Fora, Groia é cineasta e professor da Universidade Salgado de Oliveira. Bacharel em Comunicação Social pela UFJF, especializou-se em Globalização, Mídia e Cidadania (UFJF) e trabalha com projetos audiovisuais e publiciade, atuando nas áreas de formação, criação, produção e direção. Além de diretor e produtor de cinema e tv, desenvolve novas aplicações da imagem em movimento com as artes visuais.